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São Paulo, 25 de janeiro de 2009
JORNAIS

Folha de S.Paulo - Ribeirão Preto

Unesp injeta R$ 254,8 milhões na região.
Valor é a soma dos recursos movimentados pela universidade e por alunos dos campi de Franca, Araraquara e Jaboticabal
Estudo para medir a importância econômica dos campi mostra que valor equivale a 42% das receitas das três cidades

Roberto Madureira
[UNESP citada]

Os campi da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Franca, Araraquara e Jaboticabal injetam R$ 254,8 milhões todos os anos nas economias das cidades-sede. O valor é equivalente a 42% das receitas somadas dessas cidades.
Os dados são do estudo "Impactos Econômicos e Financeiros da Unesp para os Municípios", do Instituto de Economia da universidade, que concluiu que todos os 22 campi do interior injetam nas cidades, em média, 22,12% do total das receitas recolhidas por elas (leia texto nesta página).

"A ideia é medir a importância econômica do campus na cidade. Nos dados compilados, tivemos informações importantes, como por exemplo o fato de que o dinheiro movimentado por gastos de alunos com moradia, alimentação, transporte, material didático e outros em todos os 22 campus do interior é maior do que o recolhido por esses municípios com o IPVA", disse José Murari Bovo, que coordenou pela terceira vez o levantamento -os outros foram feitos em 1996 e 2001.

Em Araraquara, a universidade e seus alunos injetam na economia da cidade R$ 134,7 milhões, o equivalente a 42,4% de tudo o que a prefeitura arrecada com impostos e repasses. Em Jaboticabal, que tem receita de R$ 113 milhões, a participação é ainda maior: 69%.

Em Franca, onde foi inaugurado há duas semanas o novo campus da Unesp, a participação da "economia universitária" na cidade é a menor entre as três sedes da região. São R$ 41 milhões de recursos injetados para uma receita de R$ 299,4 milhões, o equivalente a 13,73% da receita.

No estudo, a soma de 80% dos investimentos e recursos movimentados pela universidade em cada campus e uma estimativa de gastos por aluno é chamada de "recurso injetado".

[Esse recurso] "Seria todo o dinheiro que o campus ajuda a colocar na cidade", disse Bovo. No estudo, o valor de cada campus é comparado com vários outros indicadores econômicos municipais, como arrecadação com ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) e a soma de todos os impostos recolhidos no município.

A força econômica da instituição de ensino é reconhecida pelos administradores municipais. Em Araraquara, a tradicional Faculdade de Odontologia da Unesp é considerada "fundamental".

"Unesp e Araraquara têm uma história juntas. Essa parcela de injeção na economia não surpreende. Além do valor calculado, tem ainda aquele subjetivo, de conhecimento, que pode elevar o nome da cidade nacionalmente", disse o secretário de Desenvolvimento Econômico, Valter Merlos.

Para o economista Alberto Borges Matias, professor de Finanças da FEA (Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade) da USP (Universidade de São Paulo), os valores comparados não têm relação direta, mas a comparação mostra a importância de uma instituição de ensino para uma cidade do interior.

"Muitas vezes uma universidade pode ser mais importante economicamente falando para uma cidade do que a indústria ou o comércio", afirmou.