A Receita Federal
poderá fazer mudanças na legislação do Imposto de Renda para
obrigar as pessoas que tiverem movimentação financeira acima
de determinado valor a apresentar a declaração anual de
rendimentos.
A medida seria uma
nova maneira de combater a soneação, segundo admitiu o
supervisor nacional do Imposto de Renda, Joaquim Adir.
Hoje, a movimentação
financeira não está entre os critérios que obrigam as
pessoas a apresentar a declaração anual de Imposto de Renda
da Pessoa Física (IRPF). Ela só é exigida se a pessoa, por
exemplo, tiver renda anual superior a R$ 15,7 mil, for
proprietária de imóveis com valor maior que R$ 80 mil ou
tiver feito operações em bolsas de valores, entre outros
pontos.
"A gente pode
estabelecer que quem tem uma movimentação financeira acima
de certo valor ficará obrigado a fazer a declaração de
ajuste anual", disse Adir.
Ele não informou qual
é o valor mínimo de movimentação financeira em discussão na
Receita, mas destacou que a nova idéia é que a regra seja
acrescentada aos critérios já existentes.
A Receita já tem
instrumentos para acompanhar a movimentação financeira dos
contribuintes. Com o fim da CPMF, que era usada para
"rastrear" as transações bancárias, a Receita instituiu, no
início deste ano, a Declaração sobre Movimentação Financeira
(Dimof). Através dela, os bancos fornecem semestralmente ao
Fisco dados sobre toda a movimentação de pessoas físicas de
valores acima de a R$ 5 mil.
Essas informações
deverão ser utilizados como base para a nova exigência da
Receita, que viria reforçar o Fisco na caça aos sonegadores
de impostos. Sem dúvida, será um instrumento a mais para a
Receita fechar o cerco contra a sonegação.
Segundo Adir, a
introdução do novo critério não significaria,
necessariamente, um aumento na base de contribuintes que
fazem declaração de ajuste anual.
O supervisor explicou,
no entanto, que, além de dificultar a sonegação, a nova
regra daria à Receita um fundamento jurídico adicional para
suspender CPFs irregulares.
ISENTOS
Os estudos da Receita
vão no sentido de complementar a decisão do órgão de acabar
a partir deste ano com a Declaração Anual de Isento (DAI).
A medida foi
confirmada ontem por Adir e deve beneficiar 66 milhões de
contribuintes que não são obrigados a apresentar a
declaração normal de Imposto de Renda, mas precisam todo ano
apresentar a DAI para manter o número do CPF.
Joaquim Adir advertiu,
porém, que o fim da Declaração de Isento não desobriga quem
tem o CPF em situação irregular de corrigir a situação.
Atualmente, há um
estoque de 38 milhões de CPFs suspensos e 10 milhões
pendentes. Eles pertencem a pessoas que não entregaram a
Declaração de Isento em anos anteriores.
Quem está nessa
situação deve procurar a Caixa Econômica Federal, o Banco do
Brasil ou os Correios. A regularização do documento custa R$
5,50. Sem o CPF, a pessoa fica impedida de ter conta em
banco, comprar e vender imóveis ou participar de concurso
público, por exemplo.
Fonte: O
Estado de S.Paulo (02.08.08)