O Senado aprovou ontem, por
unanimidade, PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que
torna obrigatória a ampliação da licença-maternidade de
quatro para seis meses no país. Hoje, a licença de 180
dias é facultativa às empresas, que têm liberdade para
aderir ou não à extensão do benefício, e já é adotada em
diversos órgãos públicos.
Para que a licença obrigatória entre
em vigor, a PEC tem de ser votada em segundo turno (o
que está previsto para agosto) e depois vai para a
Câmara. Se aprovada, segue para promulgação.
Autora da PEC, a senadora Rosalba
Ciarlini (DEM-RN) disse que a ampliação traz benefícios
às empresas. "A mulher, quando fica mais com o filho,
volta ao trabalho mais produtiva e falta menos",
afirmou.
No modelo facultativo, as empresas que aderirem ao
programa "Empresa Cidadã" podem deduzir do Imposto de
Renda os dois meses extras de salário-maternidade pagos
pelos empregadores.
Segundo estimativas da Receita
Federal, a licença-maternidade de seis meses custará R$
414 milhões aos cofres públicos em 2010.
Ciarlini disse que a aprovação da PEC
não traz prejuízo às trabalhadoras, que temem correr
risco de demissão após o maior período de ausência do
trabalho. "Todos os países que avançaram na
licença-maternidade não enfrentaram esse problema."
Licença Paternidade
No final do ano passado, a Comissão
de Assuntos Sociais do Senado também aprovou a ampliação
da licença-paternidade em algumas situações -como morte
da mãe no pós-parto ou se o casal escolher o pai para
cuidar do filho adotado. A proposta está em análise na
Câmara dos Deputados.
Se projeto virar lei, o empregado
poderá assumir o período de licença-maternidade devido à
mãe que morre no parto ou no pós-parto, fica gravemente
doente, abandona a criança ou perde sua guarda. Se a mãe
já tiver usado parte dela, o pai terá direto ao
restante.
Essa proposta também dá ao pai
adotivo a possibilidade de tirar os quatro meses de
licença-paternidade, desde que a licença-maternidade não
tenha sido requerida. O projeto não especifica quais
seriam essas situações.
O projeto ainda estabelece situações
em que o empregado responsável por filho de até três
anos deficiente ou com uma doença que necessite de
tratamento continuado poderá se ausentar do trabalho por
até dez horas semanais, que deverão ser compensadas
depois.
As despesas decorrentes da licença
serão pagas pelo orçamento da seguridade social, de
acordo com o texto.
Em parecer enviado ao Senado no ano passado, o governo
se manifestou contra a proposta.
Fonte: Folha de S.Paulo
(08.07.10)