Prezados
Conselheiros do CADE,
Conforme relato do Prof. Arif e solicitação de posicionamento da Adunesp S. Sindical sobre o assunto discutido no CADE na reunião de 27/04/05, gostaria de lançar a discussão do tema na lista do colegiado tendo contribuir com o debate e o posicionamento dos conselheiros. O item da pauta é:
14 - UNESP - Proposta da Prad ao CADE de não Substituição/Reposição de Auxiliar de Serviços Gerais na UNESP e contratação de serviços terceirizados.
A
seguir apresento a posição da Adunesp S. Sindical sobre
a discussão desta proposta da reitoria de TERCEIRIZAÇÃO.
Inicialmente
gostaria de elencar algumas deliberações já tomadas no âmbito da Adunesp S.
Sindical e no Fórum das Seis, quanto a esta questão:
No
IV Congresso da Adunesp, realizado em Bauru em 2003, foram aprovadas as
seguintes deliberações em relação a organização do Chapão e em defesa da
Universidade Pública (consultar: www.adunesp.org.br/eventos/resoluções
do IV Congresso/ ), no seu plano de luta:
-
Lutar pela manutenção da Unesp como uma
Universidade Pública, Gratuita e de Qualidade;
-
Pela ampliação dos quadros de docentes e técnico
administrativo, bem como da infra-estrutura física e técnica que possibilite o
pleno funcionamento da Unesp;
-
Lutar contra as reformas administrativas,
Federal e Estadual, que atingem a autonomia das Universidades Públicas e contra
todos os projetos que contribuam para a sua privatização;
-
Unificar a luta com os demais trabalhadores
das esferas públicas e privada contra o sucateamento e privatização dos serviços
públicos;
Em especial, gostaria de ressaltar a aprovação do Item 22, do nosso plano de luta:
22)
Combater, na UNESP, a terceirização e a contratação de servidores via
Fundunesp;
Posicionamentos estes que a diretoria da Adunesp vem defendendo em todas as instâncias em que participa.
Desta
forma, ressalto que o posicionamento contrário a
terceirizações fez e faz parte da Pauta Unificada de Reivindicações do Fórum
das Seis, que engloba os trabalhadores da USP, UNESP e UNICAMP.
A seguir elenco os itens da pauta que abordaram este assunto durante a
campanha salarial e negociação com o CRUESP nos últimos 5 anos:
2001
- Ampliação e melhoria dos serviços dos Restaurantes Universitários, eliminando-se a terceirização.
2002
-
Fim das terceirizações; contratação de
funcionários regulares para executarem aqueles serviços;
2003
-
Contratação em tempo integral de
professores e funcionários, por concurso público, para a reposição e ampliação
do quadro das Universidades; fim das terceirizações e das contratações precárias
de docentes e funcionários;
2004
-
Fim
das terceirizações e das contratações precárias de docentes e funcionários;
2005
- Fim das terceirizações e das contratações precárias de docentes e funcionários;
Vale
recordar que esta pauta foi aprovada nas assembléias das categorias de docentes
e funcionários nas três universidades. Portanto,
parece ser consenso o posicionamento da comunidade em não concordar com a política
de terceirizações.
Sabemos
que esta nossa luta vem sofrendo duros golpes, em algumas Unidades da Unesp,
onde já implementados o processo de terceirização de alguns serviços,
principalmente com a argumentação de que iríamos economizar.
Neste momento, vale
questionar:
a)
Qual foi a economia que estas unidades tiveram?
b)
De onde saiu o dinheiro para esta contratação de serviços dentro de um
orçamento apertado das unidades e da própria reitoria?
c)
Qual foi o controle e a avaliação da universidade sobre estes serviços?
d)
Qual o amparo legal para se efetivar este tipo de contratação dentro da
esfera pública, com dinheiro público, visto que a contratação de servidores
deve ser por concurso público?
e)
Como iremos justificar a aplicação do dinheiro público na iniciativa
privada?
f)
Como ficarão os funcionários contratados pelas firmas prestadoras de
serviço se estas falirem, fato este comum?
g)
A Universidade terá responsabilidades trabalhistas sobre estes funcionários,
já que é a contratante?
h)
Como seriam os contratos de trabalho destes servidores?
i) Existem
denúncias que as empresas prestadoras de serviço não pagam os direitos
trabalhistas deste pessoal e às vezes até o salário, como a universidade se
posicionaria frente a esta situação?
Além
disso, no último ano, enfim, após longo
período de discussão, foi aprovado o sub-quadro de funcionários da
Unesp. Como ficaria este a partir
desta deliberação? Em relação ao auxiliar de Serviços Gerais, o número de
funcionários nas unidades hoje está
de acordo com o que foi aprovado? Não
seria melhor lutarmos para adequação deste quadro e por iniciativas de
incentivo ao trabalhador da universidade, antes
de propormos a terceirização?
Mas
o que consideramos mais grave, nesta proposta,
é aceitarmos calados a privatização por dentro desta universidade e não
defendermos os nossos trabalhadores. Portanto,
não devemos apoiar medidas que levem a privatização da Unesp, mesmo que
pontualmente parece ser uma medida de economia.
Se
defendermos esta proposta estaremos apoiando uma mudança na estrutura
da universidade visando torná-la mais enxuta e econômica, da mesma
forma que o Reitor anterior propôs para a expansão de vagas através das
Unidades Diferenciadas. É esta
Universidade que queremos?
Bom,
por tudo que já aprovamos reafirmamos aqui:
-
A
defesa pela Universidade Pública, Gratuita e de Qualidade;
-
A
luta pela contratação de funcionários por concurso público de acordo com o
subquadro aprovado;
-
E
CONTRA qualquer processo de terceirização na Unesp.
Prof. Milton Vieira do Prado Junior
Presidente da Adunesp S. Sindical