Mobilização
na Alesp em 13/9:
veto de Alckmin será discutido nesta quarta-feira, 14/9
Governo
pretende obstruir, mas Fórum pressionará para que a votação
seja no mesmo dia
Após
reunião com representantes do Fórum das Seis e do Cruesp, o Colégio
de Líderes da Assembléia Legislativa (Alesp) e o presidente da
casa, deputado Rodrigo Garcia (PFL), concordaram, em 13/9, em
convocar uma sessão extraordinária da Alesp nesta quarta-feira,
14/9, às 19 horas, para discutir o veto do governador Geraldo
Alckmin (PSDB) às emendas da Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO) 2006 referentes aos percentuais destinados à Educação Pública.
Porém, ao contrário do que reivindicava o Fórum, não foi
estabelecida uma data para que a matéria seja votada.
O
governo reluta em aceitar que a derrubada do veto entre em votação
no plenário, por temer a exposição dos parlamentares de sua
base perante o movimento formado pela comunidade das três
universidades estatuais paulistas e do Centro Paula Souza
(Ceeteps), do qual fazem parte as Fatecs e as Escolas Técnicas
Estaduais (ETEs).
O
líder do PT na Alesp, deputado Renato Simões, disse que a estratégia
governista é “fugir do debate”. Ele contou que, na reunião
de 13/9, nem o líder do governo, deputado Edson Aparecido, nem o
do PSDB, deputado Ricardo Trípoli, apresentou uma proposta
concreta para resolver o impasse. É a primeira vez desde a
autonomia universitária, conquistada em 1989, que USP, Unesp e
Unicamp não têm recursos garantidos numa LDO.
Coerência
Primeiramente,
Aparecido, que também é do PSDB, e Trípoli contestaram o fato
de o Colégio de Líderes e o presidente da Alesp reunirem-se, em
conjunto, com o Fórum e o Cruesp. Eles pediam que houvesse
encontros separados, o que foi rejeitado pelos líderes. A
proposta inicialmente discutida na reunião era a de realizar a
sessão extraordinária na quinta-feira (15/9). No entanto, o Fórum
insistiu para que fosse realizada nesta quarta-feira, quando haverá
um ato em defesa da educação pública no Masp, às 13 horas,
seguido da passeata até a Alesp.
“Nós
queremos simplesmente a coerência dos deputados”, disse o
professor Milton Vieira, coordenador do Fórum das Seis, no início
da reunião, numa referência ao fato de que o aumento das verbas
destinadas à Educação Pública, de 30% para 31% das receitas de
impostos, e a garantia de 10% e de 1% da cota-parte do ICMS,
respectivamente, para as universidades públicas estaduais e para
o Ceeteps, foram aprovados por unanimidade pela Alesp.
“Os
deputados vão dar-se muito mal em seus redutos se vierem aqui e
votarem contra [a derrubada do veto]”, declarou o professor
Vieira aos cerca de 200 manifestantes presentes às galerias do
plenário Juscelino Kubitscheck (JK), após sair da reunião com
Garcia e os líderes, que prosseguiu sem os representantes do Fórum
e do Cruesp. Outras 100 pessoas não puderam entrar, por determinação
do comando da Polícia Militar no local.
Vitória
parcial
A
alegação era de que o espaço estava lotado e os demais plenários
não estavam disponíveis. De fato, no Auditório Franco Montoro,
onde os manifestantes geralmente ficam quando vão à Alesp, era
realizado o seminário “Os Institutos Públicos de Pesquisa e o
Desenvolvimento do Estado de São Paulo”, cujo mote central foi
a crítica ao processo de desestruturação de tais institutos,
promovido pelo governo estadual.
No
entanto, a capacidade do Plenário JK é de 234 pessoas. O fato de
haver mais de 30 poltronas desocupadas gerou protestos por parte
daqueles que não entraram. Eles fecharam uma das duas pistas da
Avenida Pedro Álvares Cabral, situada à entrada principal da
sede da Alesp. A PM exigia a reabertura da pista para permitir a
entrada de mais manifestantes. Havia mais de 100 policiais, entre
os quais alguns membros da tropa de choque. Os presentes às
galerias do Plenário JK solidarizaram-se com os manifestantes de
fora e ocuparam os corredores da Alesp, desde as portas do plenário
até a entrada principal do prédio, situada um andar abaixo.
Minutos
depois, a reunião do Colégio de Líderes foi encerrada e o
deputado Simões, acompanhado pelo professor Vieira, dirigiu-se ao
carro de som parado diante da entrada principal da Alesp e
anunciou aos manifestantes o agendamento da sessão extraordinária.
A manifestação encerrou-se logo em seguida, tendo conquistado
mais uma vitória parcial na defesa da Educação Pública no
Estado de São Paulo. É fundamental a participação de todos no
Ato Público desta quarta-feira (14/9), às 13 horas, no Masp,
seguido de passeata até a Alesp.
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