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São Paulo -
Foi realizada na
tarde-noite desta
quarta-feira (25) no
plenário Juscelino
Kubitschek, na
Assembléia Legislativa,
audiência pública para
debater a reforma na
previdência dos
servidores públicos
estaduais, prevista nos
projetos de lei
complementar 30, 31 e
32/05, que criam a
SPPREV. Segundo
informações da Polícia
Militar, mais de 11 mil
servidores públicos
concentraram-se em
frente ao prédio da
Assembléia para pedir a
retirada dos projetos.
O
evento contou com a
presença do secretário
de Gestão Pública,
Sidney Beraldo, e do
superintendente do
Instituto de Previdência
do Estado de São Paulo (Ipesp),
Carlos Henrique Flory,
além de representantes
de diversas entidades do
funcionalismo público
estadual. O presidente
do Sinafresp, Lauro
Kuester Marin, esteve
presente à sessão. O
deputado federal João
Eduardo Dado Leite de
Carvalho (PDT) também
compareceu à audiência.
Ambos fizeram
pronunciamentos
criticando alguns pontos
do projeto.
“Retira!”:
Plenário JK lotado. O
povo protesta e pede a
retirada do projeto
O
presidente Vaz de Lima
abriu a sessão e
informou aos presentes
as regras do debate.
Logo depois, o
secretário de Gestão
Pública e o
superintendente do Ipesp
fizeram breves
exposições sobre o
assunto. Durante a maior
parte da audiência o
deputado Waldir Agnello
presidiu os trabalhos e
dirimiu questões
regulamentares.
Foi garantida a palavra
a todos os
representantes de
entidades do
funcionalismo que se
inscreveram. A audiência
foi encerrada somente às
19h45, depois que todos
os inscritos,
funcionários e
deputados, expuseram
seus pontos de vista.
Após a audiência
pública, o presidente da
ALESP, o deputado Vaz de
Lima, recebeu algumas
lideranças das entidades
do funcionalismo público
para uma reunião.
Segundo o tucano, “estou
fazendo tudo o que está
a meu alcance,
aumentando o tempo de
discussão do projeto”.
“Não posso deixar de
colocá-lo em votação,
pois tenho que cumprir o
regimento interno da
Casa”, explicou. Vaz de
Lima ressaltou que
sempre foi servidor
público. “Assim como eu,
diversos familiares são
servidores. Quero o
melhor para todos”,
finalizou.
Reunião
das lideranças com o
presidente Vaz de Lima e
lideranças do PT
foto:Afresp
Nesta quinta-feira, às
14h30, foi marcada um
novo encontro com o
líder do governo na
Casa, o deputado Barros
Munhoz, para discutir
novamente pontos
polêmicos do projeto do
governo para a criação
da SPPREV.
Projeto prejudica os
servidores, dizem
lideranças do
funcionalismo
Os
representantes do
funcionalismo que
debateram o PLC 30/05 na
tarde desta quarta-feira
foram unânimes ao dizer
que o Executivo não
debateu a questão com o
funcionalismo. As
entidades pedem que o
projeto seja retirado e
que o governo acate as
sugestões apresentadas
pelos servidores.
O
presidente Lauro Kuester
Marin representou o
Sinafresp. Em seu
discurso, ele afirmou
que os servidores
públicos não podem abrir
mão do passivo atuarial
que o Ipesp tem com os
servidores, desde 1958,
ano de criação do Ipesp.
“O Estado deve honrar o
passivo atuarial, que
não é pouco. Isso é
direito do servidor”.
Presidente Lauro Kuester discursa no plenário JK
O
deputado João Eduardo
Dado, que esteve
representando a CAT
(central Autônoma dos
Trabalhadores), chamou a
atenção para a o valor
da taxa de administração
que será cobrada na
SPPREV. Segundo ele,
“essas taxas não podem
ser definidas por
decisão do governador,
mas sim do conselho de
administração, que deve
ser paritário”,
explicou.
Deputado João Eduardo
Dado é recebido pelo
presidente Vaz de Lima
Lineu Neves Mazano,
presidente da Federação
Sindical, ressaltou que
no ano passado os
representantes do
funcionalismo se
reuniram com o então
secretário da Fazenda e
com o líder do governo
da época, Edson
Aparecido, e ficou
acordado que as questões
levantadas pela
categoria seriam
contempladas. “Mas elas
não estão na proposta”,
lamentou Mazano.
Lideranças do
funcionalismo acenam com
paralisação. Os
servidores reclamam, por
exemplo, que o passivo
atuarial (o montante que
o Estado deve ao sistema
de previdência por não
estar recolhendo a parte
do empregador) não está
sendo considerado na
constituição da
autarquia:
“Há um rombo na
previdência, mas não
fomos nós que o fizemos.
A dívida é do Ipesp
conosco e não nossa para
com o Ipesp”, afirmou
Zilda Guerra, presidente
da Associação dos
Aposentados. Joalve
Vasconcelos, presidente
do Sindicato dos
Servidores Públicos do
Poder Legislativo do
Estado de São Paulo
(Sindalesp), também
pediu a retirada do
projeto.
Os
servidores questionam
ainda a desproporção
entre a representação do
governo e a do
funcionalismo nos
conselhos da futura
autarquia e temem que a
contribuição, que hoje é
de 11% sobre os
vencimentos, possa ser
aumentada. Para o
presidente da Federação
Associativa, José Gozze,
nas entrelinhas do PLC
está subentendido que os
servidores podem vir a
pagar 20% de
contribuição
previdenciária.
A
situação dos temporários
suscita dúvidas: “A Lei
500 tem 33 anos, e há
muitos funcionários já
aposentados por esse
sistema, que já é uma
instituição na prática”,
explicou José Maria
Conselheiro, criticando
a não-inclusão dos
funcionários regidos
pela referida lei no PLC
30/05. “Queremos
garantir nossas
conquistas.”
O
deputado Carlos Giannazi
(PSOL) manifestou-se
contrário ao projeto do
governo estadual e
lembrou que a próxima
reforma previdenciária
do governo federal, se
concretizada,
prejudicará ainda mais
os servidores públicos.
Favorável ao projeto
substitutivo dos
servidores, o deputado
Major Olímpio (PV)
declarou que agora
interessa pouco o que
todos tenham a dizer,
pois, segundo ele, o
jogo parece já estar
definido. “Mas, vamos
escancarar quem votar
contra a família dos
policiais militares.”
O
deputado Roberto Felício
(PT) disse que a
oposição não vota “nesse
projeto”. “Vamos
obstruir até o limite da
nossa capacidade”,
afirmou. Para ele, “só o
funcionalismo perde com
o projeto do governo”.
O evento
foi transmitido pela TV
ALESP
A outra parte:
“Exigência
constitucional”
O
secretário de Gestão
Pública do governo
paulista, Sidney Beraldo,
explicou que a
constituição da SPPPREV
é uma exigência
constitucional. A
determinação para que a
previdência dos
servidores públicos
estatutários seja
administrada de modo
único em cada Estado da
Federação é resultado de
reformas promovidas na
Constituição Federal. “A
decisão sobre o sistema
único já foi tomada pelo
Congresso Nacional com a
aprovação das emendas 20
e 40. O governo do
Estado está cumprindo a
Constituição”, afirmou
Beraldo.
Ele
lembrou que a razão da
urgência na aprovação
dos projetos se deve ao
fato de que o Estado
necessita do Certificado
de Regularidade
Previdenciária,
documento que comprova a
conformidade com a
legislação, para
garantir transferências
de recursos da União e
autorização de
empréstimos com bancos
de fomento. A
prorrogação do prazo
para a obtenção desse
certificado tem sido
obtida por meio de
liminares judiciais, e a
última delas expira em
maio. “É importante para
o Estado e é importante
para os funcionários”,
declarou o secretário.
Liderança do Governo
diz que projeto agregará
os regidos pela Lei 500
Segundo o líder de
governo, Barros Munhoz
(PSDB), o PLC 30/05 foi
apresentado em
atendimento a
determinações da
Constituição Federal.
Munhoz considera justa a
reivindicação de que os
servidores indiquem seus
representantes para a
composição dos conselhos
administrativos e
fiscais da SPPREV.
“Também existe a
disposição do governo de
não extinguir a Caixa
Beneficente da Polícia
Militar”, informou o
líder, lembrando que um
oficial superior poderá
cuidar das alterações
referentes à previdência
dos militares.
Munhoz ainda ressaltou
que o passivo atuarial é
a soma presumida do
montante que teriam a
receber todos os
contribuintes quando de
sua aposentadoria. O
Estado deve garantir os
benefícios, tanto que já
está mantendo ação
contra o INSS para
manter as aposentadorias
dos funcionários regidos
pela Lei 500.
O que é o
Projeto?
Os PLCs 30, 31 e 32
instituem a São Paulo
Previdência (SPPREV), um
novo sistema que
absorverá o Instituto de
Previdência do Estado de
São Paulo (Ipesp) e a
Caixa Beneficente da
Polícia Militar (CBPM).
Está em tramitação desde
2005 e corre em regime
de urgência na ALESP.
Quais as complicações?
- A SPPPREV poderá
aumentar a contribuição
previdenciária de 11%
para até 19%;
- Pode levar os
funcionários concursados
pela lei 500/74 e os
admitidos em caráter
temporário (ACTs) para o
Regime Geral de
Previdência Social
(INSS);
-
Não paga o passivo
atuarial, dívida que o
governo tem com o
servidor público pelos
anos que não contribuiu
para o Ipesp. Hoje, essa
dívida está em R$ 153
bilhões;
- Não
está definida a gestão
da nova autarquia. O
governo quer geri-la. Os
servidores defendem a
paridade;
- Não está clara,
tampouco definida, a
situação dos que já
estão no serviço público
e vão se aposentar no
caso de extinção do
regime.
O
vice-presidente do
Sinafresp, Claudio
Fambrini, e os
conselheiros
representantes de São
José do Rio Preto,
Herley Rossi e José
Xavier de Camargo,
respectivamente
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